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24/06/2007 17:38

EVOCAÇÃO DA CIDADE DO NATAL

Cidade do já teve, de boêmios seresteiros,

que não alcancei ...

Lourival Açucena (Lorênio),

o poeta Ferreira Itajubá,

regressando, de manhã, cedinho,

das últimas noitadas,

cheias de serenatas,

lapinhas e pastoris,

vestido de fraque, segundo dizem,

com uma enfieira de caranguejo

dependurada no dedo da mão,

ali na antiga feira da tatajubeira ...

Onde estão os teus vendedores de vendagens?

- rolete de cana ...

- tapioca de coco ...

- cuscuz de milho ...

- bolo pé de moleque ...

E os teus turcos prestamistas?

que se foram das Rocas e do Alecrim,

com os seus baús de miudezas,

para a Rua das Lojas

da Ribeira, Cidade Alta ...

Cadê o teu Porto do Padre?

de-frente do Paço da Pátria,

com os teus canooeiros,

com os teus boteiros,

com as tuas negras louceiras

lá de Barreiros?

- urinóis ...

- xícaras ...

- mealheiros ...

tudo era feito de barro ...

Em todas as bodegas,

para todos os paladares,

bastavam dois vinténs de meladinha,

com parede de camarão ...

Nos domingos, dias santos,

apanhava-se caju, madurinho,

no tempo das matas ensombradas

das Quintas e do Goitizeiro,

com muita fartura de

- cajá ...

- mangaba ...

- pitomba ...


José Bezerra Gomes
enviada por Ronaldo Seridó






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